domingo, 16 de junho de 2013

Desconfie!

A vida da gente é cheia de fatos curiosos. Uns interessantes, outros engraçados, outros nem tanto, e alguns, só alguns ruins. Não importa como eles sejam, mas lá no fundo, todos trazem consigo um pouco de aprendizado ou uma pilha deles. 
Estava hoje refletindo sobre alguns acontecimentos da minha vida, e observando o que pude extrair deles e após um balanço cheguei à conclusão que nem tudo o que extraí foi bom.
Extraí força de situações que exigiram isso de mim. Passei por situações de perda, e a pior delas foi ter perdido o meu avô amigo. Acho que a maior dor que senti até hoje. Doeu em lugares que eu nem sabia que existiam, mas os cacos foram juntados e encontrei força, melhor, Deus me deu força e foi algo que consegui extrair de uma situação, pra mim, terrível. Algo bom, força é algo muito bom. Extrai sorrisos de situações inusitadas, engraçadas ou até mesmo ridículas, e extrair riso é algo bom, muito bom. Extraí aprendizado de situações que me ensinaram; aquelas que a gente não sabe como resolver, pra onde correr, ou aonde se esconder, mas que somos obrigados a aprender, na força! 
​Enfim... É possível extrair algo bom, de vários tipos de situações. Mas também é possível extrair coisas ruins, e essas, nem sempre fazem mal à gente.
Extraem-se coisas ruins quando nos relacionamos com pessoas que mentem, nos fazem sofrer e usam o nosso melhor para tirar algum proveito. O que podemos extrair de ruim dessas situações é a insegurança. Aparentemente insegurança é algo ruim e que nem sempre trazem bons resultados, exceto quando ela faz com que prestemos mais atenção aos sinais que esse tipo de pessoas costumam emitir. Sim, os que mentem, que fazem sofrer e que se aproveitam das qualidades de outras pessoas, costumam emitir sinais que, só percebem aqueles que se sentem inseguros para confiar, acreditar ou depositar algum tipo de expectativa. Nesses casos, a insegurança é algo bom, que nos deixa bem espertos. 
Outra coisa ruim que podemos extrair é a desconfiança. É ruim que as pessoas desconfiem da gente, das nossas intenções ou do que nós falamos. Mas a nossa tarefa é quebrar isso e fazer com que as pessoas tenham motivos para confiar, acreditar principalmente em quem nós somos. Mas acontece que quando batemos de frente com aquelas situações anteriores, aquelas mesmas de nos relacionarmos com pessoas quem mentem, têm a intenção de nos fazer sofrer ou se aproveitarem de nós para conseguirem algo, a desconfiança vem e pode nos livrar de uma série de aborrecimentos.
Não estou dizendo que você deva se sentir inseguro e desconfiar de tudo que o cerca ou venha a se aproximar de você, mas um pouco de cautela sempre é bom.
À medida que aprendemos isso, evitamos muitas coisas desagradáveis. Algumas mentiras já não têm espaço, as promessas enganosas já não colam e as coisas fluem melhor, com mais verdade.
No mais, tenho algumas coisas a te dizer: 
1-    Aprenda alguma lição; 
2-  Extraia algo bom das situações; 
3-  Se for extrair algo ruim que seja para aprendizado, e esse nunca é demais; 
4-  Seja cauteloso; 
5-    Desconfie algumas vezes, isso não é de todo ruim; 
6-    E seja feliz, em tudo! 

Beeejo!

domingo, 9 de junho de 2013

Em apenas um olhar



Depois de alguns anos trabalhando em tantos casamentos, me acostumei. Me acostumei com os arranjos florais, as lapelas, os vestidos longos e elegantes, as daminhas tímidas, as madrinhas empolgadas com o bouquet, o glamour das plumas, o brilho das pedras e paetês e o nervosismo e ansiedade da noiva. Me acostumei a escrever os discursos e ver a emoção estampada na face das pessoas ao ouvi-lo. 
Me acostumei a manter tudo em perfeita ordem, a saber lidar com a irritação de uns, o nervosismo de outros, a falta de profissionalismo de poucos e até com algumas surpresas, boas ou desagradáveis. Me acostumei a me aguentar 6 longas horas ininterruptas sobre um salto alto, mantendo a elegância e a pose para garantir que tudo estivesse bem. Me acostumei a me esconder um pouco na cozinha e compartilhar de umas boas gargalhadas com a turma do buffet, a ouvir reclamações e na maioria das vezes lindos e reconfortantes elogios. Me acostumei com os depoimentos posteriores dos noivos satisfeitos. Isso, dinheiro algum paga.
Diante de tudo isso, e dos incontáveis encontros com os noivos antes do grande dia, mesmo tendo me acostumado, há sempre muita emoção envolvida, e há sempre uma nova forma de se emocionar. 
Enquanto para muitos o ápice da cerimônia é o momento em que a noiva - ao som da marcha nupcial ou qualquer outra sinfonia escolhida - avança rumo ao altar, para mim, o ápice é o olhar do noivo no momento em que a avista. Há tensão, ansiedade, curiosidade, amor, muito amor envoltos nesse momento singular.
É um momento mágico. Todas as vezes paro para observar esse momento, esse olhar. Antes, sempre peço aos fotógrafos que registrem isso, mas na maioria das vezes as lentes devem estar voltadas para a estrela do dia.
Vez ou outra consigo sentir o que ele sente ao contemplar o seu futuro, em um único olhar. 
Não sei explicar bem, mas posso sentir - tudo bem que em uma proporção milhares de vezes menor - o que Ele vai sentir quando vier me buscar. Aí sim, posso voltar o meu olhar e atenção para a noiva, e imaginar como me sentirei estando em seu lugar. 

Beeejo
Soninha Nobre