segunda-feira, 31 de julho de 2017

NÃO SEI QUE TÍTULO CABE AQUI.


Agosto vem bem alí e com ele aquela sensação de que vai durar, e dura mesmo, 189 dias. Tenho a impressão de que as horas demoram mais a passar, ou de alguma forma todos os relógios do mundo foram programados para que tenhamos um dia de 30 horas, no mínimo.
Poucas coisas acontecem em agosto, pelo menos aquelas marcantes que nos fazem contar os dias para que esse mês chegue. Que bom para quem teve a sorte de algum acontecimento nesse mês, daqueles que fazem o coração quase parar: um casamento, a chegada de um filho, uma viagem marcante, um novo emprego, o surgimento de um novo amor.
Mas não serei tão rígida com o pobrezinho desse mês, não é justo impor tanto mal querer, ele não tem culpa de ser o mais detestável do ano, ao menos para uma grande parcela dos viventes.
Embora a introdução tão extensa, não é sobre agosto que quero falar e sim sobre ciclos que se encerram e abrem passagem para novos, aqueles bem esperançosos. Mas quando  nos despedimos de um período, seja um mês, um ano ou uma temporada, é natural que façamos uma reflexão de tudo que temos vivido, e, diante disso, de tudo o que não gostaríamos mais ter que viver.
Você que está lendo isso, já parou para pensar que grande parte das coisas que você tem vivido e que não te fazem bem, podem acontecer por sua culpa? Vou reformular para não parecer tão pessoal: parte das coisas que vivemos, daquelas que não nos fazem bem, acontecem porque permitimos ou por culpa nossa. Quantas vezes nos sujeitamos a questões que não agradam ao nosso coração, mas para fazer com que outros se sintam confortáveis. Muitos outros, exceto nós. Dizer não jamais foi pecado, não é errado e pode ser libertador. Damos preferência a agradar a tantos outros mesmo que nós sejamos os ultimos da lista dos satisfeitos, quando deveríamos estar entre os primeiros. Sem falar em sentimentos que insistimos em mendigar mesmo sendo eles tão nobres e preciosos, como amizade, consideração, respeito e amor, quando esses deveriam fluir naturalmente, como respirar.
Mas é certo que nem tudo depende de nós para correr bem, e não somos culpados de tudo o que de ruim nos acontece, ou ao que não acontece, mas é certo também que podemos minimizar essa estatística de coisas que deixam o nosso coração machucado no decorrer da vida, desgastam a nossa paciência e fazem nossas esperanças esvaírem.
Vamos combinar que tudo isso aí cansa, não é mesmo? Esperar demais cansa, sofrer cansa, decepcionar-se cansa muito, e ter as expectativas frustradas cansa e cansa muito!
Chegou a hora de encerrar esse ciclo difícil que tanta gente tem vivido, aquela fase que estacionou nas coisas que nos fazem sofrer. É libertador quando chegamos ao entendimento de que precisamos ter a coragem de dizer não a tudo o que nos faz sentir inferior, e subir mais um degrau nessa escada rumo a uma vida mais tranquila, com mais paz.
Se eu posso listar uns conselhos para o dia de hoje, e para os próximos que virão seria:
1-    Tenha mais amor por si mesmo. Você tem muito valor, mesmo que aquelas poucas pessoas que você tanto ama e considera, insistam em provar o contrário;
2-    Aprenda a extrair o lado bom das coisas que te acontecem.
3-    Fique firme e não perca o humor. A vida tem sido difícil demais lá fora para que economizemos sorrisos e gargalhadas;
4-    Não insista demais em certas coisas que são simples e que algumas pessoas insistem em dificultar para você. Isso não é pessimismo, é valorização de quem você é, e do que você pode! Lembre-se: amor, amizade, respeito e consideração, são nobres demais para que você tenha que mendigar;
5-    Tente não falar muito dos problemas, mesmo que eles martelem aí dentro de você. A preocupação não resolve problema algum. Peça a Deus sabedoria e entregue a Ele a direção de tudo;
6-    Faça tudo com muito amor, e isso não para as pessoas, mas por você;
7-    Planeje;
8-    Não gaste mais do que você pode. Procure ser feliz com pouco. Te garanto que é muito possível.
9-    Faça algo por você.
10- E abrace, sempre que puder.

No mais, sorte no novo ciclo, mas para isso enterre tudo o que você não deseja levar adiante. Já ouviu dizer que o velho precisa sair para que o novo possa entrar? É exatamente isso.

Seja feliz!




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Precisava escrever.


Precisava escrever.
...sobre coisas que não importam mais, sobre aquelas que decidimos deixar para trás, ou simplesmente, deixar ir. Precisava escrever só para que, caso algum dia eu não me recorde mais,  tenha registrado ao menos para recordar, ou quem sabe para contar. Recordar e contar sem sofrer. 
Todos nós temos algo a esquecer, a deixar em um ponto da nossa história em que não nos recordemos, a não ser quando escavamos em busca de lembranças só para recontar uma história, ou uma experiência. Não é mesmo? Sim, todos temos. Pode ser uma tropeçada, para substituir a palavra 'derrota', pois só pelo fato de chegarmos aqui, muitas vezes vencendo sozinhos grandes obstáculos, é uma grande vitória, portanto, não usemos mais essa palavra que usei ali há 26 palavras atrás; pode ser um amor sofrido, um término doído, a despedida não desejada, o derradeiro abraço, a carreira estagnada, os repetidos nãos e nãos e nãos. (já reparou que falo muito disso né?!)
Precisava escrever.
...sobre as coisas simples que vivemos e nem sempre damos a importância que elas merecem; quantas vezes somos engolidos pela rotina diária e deixamos 'passar' da nossa importância os tons azuis claros do céu, aquele laranja com roxo que achávamos que não combinavam mas que no pôr do sol parecem ter sido pintados à mão. E foi, pela Mão do grande Autor; o clarão da lua em noite quente, o silêncio raro em dias agitados; os pequenos gestos que preenchem os dias vazios mas que não têm nossa melhor atenção; tudo isso soa tão poético quando se trata de algo comum, embora casa vez mais raro.
Precisava escrever.
...sobre essa falta de amor que tem marcado nossos dias de forma tão fria; sobre o dinheiro que veio para confundir o amor e o tal do bem querer; sobre carregar valores nos bolsos ao invés do coração; sobre se despedaçar para deixar outros inteiros e sobre permitir que pessoas nos despedacem.
Precisava escrever.
...sobre essa coisa rara e boa que é ter paz: para decidir, resolver, ter, sentir, estar; sobre ser livre para ser o que quiser sem se permitir ferir pelo que vão pensar, e dizer; sobre ter coragem de ir além dos limites que nós mesmos colocamos, ou outros; 
Precisava escrever.
...sobre coragem. Coragem para colocar um ponto final em tudo o que nos entristece, nos limita e, muitas vezes, nos diminuem; coragem para seguir em frente decididos a deixar a felicidade fixar residência na nossa vida, mesmo que para isso seja preciso uma poda dolorosa. A árvore precisa ser revitalizada. Guarde bem isso: fique atento ao que rouba a beleza dos seus galhos e bloqueia seus frutos. A poda pode ser dolorosa, mas é necessária. 
Precisava escrever.
Precisava escrever porque tudo é tão ligeiro, a vida é um sopro e... tem coisas que só saem da gente por escrito!

Feliz vida, minha gente!