segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O amor que vale à pena

É muito bonita a ideia de que o amor é mais forte do que tudo, e sempre vence. É mais linda ainda aquela história de que o amor verdadeiro aceita o outro do jeitinho que ele é. E sobre se colocar em segundo plano para que o outro esteja sempre bem? Tudo isso é tão bonito, não é mesmo? 
É bonita também aquela ideia de que o amor é cego, mas penso eu que isso pode custar muito mais caro do que parece. O amor enxerga tudo, o que há de bom e o que há de ruim também, e, assim, enxergando, ele nos ajuda a corrigir uma porção de maus costumes, manias, ou até mesmo de não saber tão bem dar amor. O amor não é cego, ele enxerga muito bem, inclusive todos os defeitos, só que ao contrário do que vemos por aí com relação a tantos apontamentos de defeitos e erros, o amor que vale à pena ajuda que o outro corrija seus defeitos. E nos torna grandes.
Mas o amor, ah o amor, é bem mais que tudo isso!
Não é balela aquela história de que o amor precisa de uma base sólida. Ele precisa, e muito, de uma boa base para durar para sempre, caso contrário, estaríamos construindo casas em areia movediça. Essa base está logo ali, a um dobrar de joelhos de distância. É justamente no amor de Deus, que o amor que vale à pena acontece, nos vem como resposta.
Seria possível escrever um livro grandão sobre tudo o que o amor é e pode fazer, mas só temos um pedaço de papel para tentar descrevê-lo, então vou tentar resumir:
O amor que vale à pena não nos faz encolher, ele nos faz maiores, mais fortes e mais capazes;
O amor que vale à pena nos deixa com aquela vontade gigante de estar junto, perto; aquela vontade deliciosa de voltar para casa e poder dizer o quanto ele é lindo, o quanto ela está bela com aquela roupa, o quanto ele cozinha bem, o quanto ela está cheirosa, quão grande foi a saudade do dia, o quanto ele fica charmoso com a barba por fazer, o quanto ela fica provocante com o cabelo molhado.
Você descobre o amor que vale à pena, quando sente que ele, o amor, se apoderou do seu coração, dos seus olhos, da sua casa, do seu celular, do seu carro, das conversas com os amigos, das reuniões familiares, de tudo. 

Sentindo isso, só me resta lhe dizer:  Parabéns, você o encontrou e esse amor vale à pena!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

SOMOS TODOS LINDOS

Minha mãe vai me desculpar, mas eu nunca fui uma criança linda. Sempre desajeitada, magricela e nunca simpatizei muito com questões de estética, aquelas que as crianças sempre gostam, como passar batom, andar com os cabelos e unhas sempre em harmonia com uma roupinha bonitinha. As meninas não queriam ser minhas amigas pois não gostavam de andar com meninas feias, logo, sempre socializei mais com os meninos. Eles sempre me trataram bem, mas não queriam me namorar. Que menino namoraria meninas feias? 
Mas eu cresci... porém a beleza não me acompanhou. Continuei feinha. Não era horrorosa, mas também não era bonitinha. Louvado seja Deus pelo vôlei! Não precisava ser bonita para entrar para o time, era só saber jogar, e, modéstia à parte, eu sabia bem. Não era preciso se arrumar bem para os treinos, bastava um rabo de cavalo, uma camiseta folgada e... vixe, um short curto e colado. Puxa! Aí nem minhas boas habilidades do voleiball me salvavam! As pernas eram um pouco mais compridas que as das outras meninas, e finas que pareciam quebrar, com um joelho imenso entre a canela e o fêmur (pois aquilo não podia ser chamada de cocha, ainda). Mentalizem!
Mas aí já era maiorzinha e com a adolescência veio a vaidade... e as coisas foram melhorando.
Já tinha mais amigas do que amigos meninos, já recebia olhares de meninos, mas nenhum se interessava por mim. Por que será? A beleza não era meu forte, realmente.
Mas particularmente, isso nunca me fez mal, eu sentia que outras coisas eram mais importantes pra mim. E eram mesmo, como por exemplo, ter amigos. 
Ao contrário do efeito que muito preconceito e a rejeição podem causar na vida de uma criança, um adolescente e até mesmo um adulto formado, eu cresci muito bem resolvida. Isso nunca me tornou menos consciente da minha capacidade que estaria muito além de uma simples aparência física. 
Sempre fui uma criança extrovertida, sempre gostei da muvuca e o riso era fácil, e um pouco contagiante, acho que as pessoas gostavam de mim porque me achavam divertida e eu também conseguia enxergar e me envolver mais pelo coração delas. O tempo foi passando e me tornei uma mulher, foquei em outras coisas e sempre deixei que o bom humor ocupasse boa parte dos meus dias, pois a vida, assim como acredito ter sido para muitos de vocês, nunca foi das mais fáceis. 
Passei quase toda a minha vida ouvindo expressões do tipo: "você é o patinho feio da sua casa, suas irmãs são tão lindas!", "Você tem uma beleza exótica", "Você não é tão linda mas é suuuuuper elegante!", "Tu é chique demais mulher!". 
Falo abertamente a respeito disso, e com zero porcentagem de ressentimento ou trauma, pois nunca internalizei nenhum tipo de baixa alto estima ou complexo referente à beleza. Sempre me amei do jeito que sou e me sinto completamente aceita por mim mesma, e isso me isenta de qualquer tipo de aceitação que venha de outros, nunca precisei.
Todo esse relato é para que alguns de vocês entendam que a beleza nunca deve estar acima das qualidades de uma pessoa, de seu potencial e muito menos de seu coração. 
Esqueci de mencionar as incontáveis vezes em que a frase "Tão linda por dentro!" quis me esbofetear diante do espelho! Mas eu nunca deixei.
Hoje minhas pernas um pouco compridas me favorecem, a benção de comer feito uma forrageira e não engordar, também; além disso tem o meu pescoção, meu fêmur não é apenas fêmur mais, e gosto de brincar com meu cabelo! Me sinto linda por fora, sem falsa modéstia e sem convencimento também! 
Mas, finalmente, não seja canal do mal para colocar no coração das pessoas traumas, sentimentos de rejeição e preconceitos. As pessoas são muito mais que os corpos que elas têm, que a textura de seus cabelos, que a cor de suas peles e de seus olhos. 
Eu resisti ao que tentaram impor a mim, mas não são todos que têm a sorte de resistir! 
O mundo já é feio demais para que tenhamos que nos sentir também feios. Somos todos lindos, do jeito que somos, e muito, muito mais além, um coração alegre aformoseia um rosto. Sabe o que isso quer dizer? Deixe o coração das pessoas sempre felizes! Pessoas felizes são lindas, independente de sua aparência! 

Beeejo!