sábado, 7 de abril de 2012

A escolha de ficar, é sua.

           Pode haver tragédia maior, que alguém a quem amamos muito, seja tirado fatal e brutalmente de nós? Poderia ter havido tragédia maior para João que um Jesus morto? Três anos antes dera as costas à sua carreira e unira seu destino ao desse carpinteiro nazareno. No começo da semana, alegrara-se numa parada, enquanto Jesus e os discípulos entravam em Jerusalém. As coisas tinham mudado depressa! As pessoas que, no domingo, haviam-nO aclamado rei, bradaram por Sua morte na sexta-feira. Estes linhos eram uma lembrança tangível de que seu amigo e seu futuro estavam envoltos em panos, e selados atrás de uma pedra.
            João não entendia, naquela sexta-feira, o que você e eu sabemos agora. Não compreendia que a tragédia daquela sexta-feira seria o triunfo do domingo. Mais tarde confessaria que “ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos” (Jo 20:9). João, simplesmente não sabia. É por isso que o que ele fez no sábado é tão importante.
            Nada sabemos sobre este dia; Nada sabemos sobre aquele sábado; não temos uma passagem para ler, nem conhecimento a partilhar. Tudo o que compreendemos é que, quando o domingo chegou, João ainda estava presente. Quando Maria Madalena foi procurar por ele, encontrou-o.
            Jesus estava morto. O corpo do Mestre estava sem vida. O amigo e o futuro de João estavam sepultados; mas João não fora embora. Por quê? Porventura esperaria pela ressurreição? Não. Até onde sabia, os lábios foram para sempre silenciados, e as mãos, para sempre paradas. Para sempre. Não aguardava uma surpresa dominical. Então, por que estava ali?
            Era de se pensar que tivesse partido. Quem sabe se os homens que crucificaram a Cristo não iriam atrás dele e dos demais discípulos? A multidão estava contente com uma crucificação, por que não mais outras? Os líderes religiosos poderiam ter pedido mais uma. Por que João não saiu da cidade?
            Talvez a resposta seja pragmática; provavelmente naquele momento cuidasse da mãe de Jesus. Ou, quem sabe, não tivesse outro lugar para ir. Pode ser que não possuísse dinheiro, ou forças, ou coragem, ou direção... ou nenhuma dessas coisas.
            Ou, talvez, demorou-se porque amava demais a Jesus e a sua ficha ainda não tivesse caído.
Para os outros, Jesus era um operador de milagres. Para os outros, Jesus era um grande Mestre. Para os outros, Jesus era a esperança de Israel. Mas para João, era tudo isto e mais. Para João, Jesus era um amigo.
            Você não abandona um amigo – nem mesmo quando ele está morto. João ficou perto de Jesus até o fim; e mesmo depois do suposto fim.
            Ele tinha o hábito de fazer isto. Estava perto de Jesus no cenáculo. Estava perto de Jesus no Jardim do Getsêmani. Estava aos pés da cruz, na cena da crucificação, e achava-se a uma curta caminhada da tumba, no sepultamento.
            Ele entendeu Jesus? Não.
            Estava contente por Jesus ter morrido? Não.
            Mas ele deixou Jesus? Não.
             E você? Quando se encontra na posição de João, o que faz? Quando é sábado em sua vida, como reage? Quando está em algum lugar entre a tragédia de ontem e o triunfo de amanhã, o que realiza? Deixa Deus ou fica perto Dele?
          João escolheu ficar. E porque ficou no sábado, estava por perto no domingo para ver o milagre...
            Escolha ficar. Deus pode pegar o que hoje é um símbolo de tragédia e transformá-lo em um símbolo de triunfo. Sim, Ele pode. Mas a escolha de ficar é sua.

Trecho extraído do livro Ele Escolheu Os Cravos – Max Lucado e adaptado por Soninha Nobre.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Bem ali, em 2014.

Ontem comecei o meu dia com um tour pela nossa Capital. Brasília é tão linda, tão agradável e com uma arquitetura impressionante. E pra ficar mais agradável, o outono começou muito bem com uma chuvinha pra refrescar e preparar o terreno para uma nova estação.
Apesar de não ter planejado o passeio, não pude deixar de admirar a grandeza de Brasília. Passando pelo Eixo Monumental, pude observar as obras faraônicas da reforma do nosso estádio de futebol, os tão falados preparativos para a Copa do Mundo que está bem ali, em 2014.
Descendo um pouco mais, pude avistar a tão bela Fonte da Torre de TV, linda, deslumbrante, as águas mais pareciam uma explosão, numa sintonia quase que perfeita. Um balanço de movimentos que mais parecia uma dança.
E foi descendo mais, que avistei a Esplanada dos Ministérios, mas não pude, desta vez, chegar tão perto dela, pois o meu destino naquela manhã era outro.
Estava muito bom descrever a parte alta da nossa Capital, mas a realidade era um pouco mais ‘embaixo’. Estava a caminho do Hospital de Base, levando meu pai, na tentativa de um atendimento devido a um incidente ocorrido. Nada grave, mas que precisava de uma análise médica, caso contrário, o tour poderia ter se dado em outra ocasião.
Antes de irmos àquele hospital, passamos em outro, e a resposta veio um tanto que imediata do serviço de Informações do tal Hospital: “...não temos médico hoje, para atendimento.” Foi aí que começamos o nosso passeio.
Partimos em destino ao Hospital de Base, e a resposta foi um pouco diferente: “Senhora, peça ao seu pai para se sentar ali, bem ali atrás daquela linha verde, e dirija-se à sala à sua esquerda para uma avaliação para saber se será possível o atendimento”. A presteza daquela atendente me chamou a atenção. Não que a do hospital anterior tenha sido diferente, não, não posso tirar o mérito da gentileza de ambas, e isso não é ironia. Foi aí que me dirigi àquela sala, e a frustração foi maior: não poderíamos ter atendimento uma vez que o hospital anterior, sim, aquele em que não havia médicos para atendimento, era ali aonde deveríamos ser atendidos. Enfim... apenas um pequeno relato de um ping-pong um tanto desagradável.
Diagnóstico médico: Nenhum, pois não foi possível o atendimento durante toda uma manhã.
Este é apenas um relato de uma criatura completamente indignada, frustrada, decepcionada e toda sorte dos ‘adas’ possíveis em uma situação como esta, em que se encontra a nossa tão amada Capital Federal.
Agora me sinto à vontade pra fazer um desabafo:
Para onde estão voltados os olhos dessas criaturas que o povo brasileiro, especificamente o povo que mora aqui, no centro do poder, elegeu nesses últimos anos? Que raio de cegueira é esta dessas criaturas que não conseguem enxergar o que o povo enxerga?
Para onde estão indo as verbas se não estão nem em hospitais, nem nas escolas, muito menos no transporte público e piorou na dignidade que merece o povo?
Ontem, após passar por toda essa situação desagradável, tive a infelicidade de ler uma publicação de um certo deputado eleito dizendo que estava indo ‘votar’ a lei que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol durante a copa de 2014. Pelo amooooooooooor de Deus! Pra que isso? Para evitar a violência?
E quem evita a violência que sofremos nos hospitais com tanto desrespeito? E quem vota para um salário decente para professores? E quem vota por condições de trabalhos dignas para profissionais tanto da educação, como da saúde?
É muito duro ter que andar pela EPTG e ver a quantidade de ‘Pardais’ que estão sendo remanejados, colocados, seja lá qual for a justificativa. Segurança no trânsito? Por favor, não subestimem a nossa inteligência. Não tentem nos engabelar achando que não conhecemos que a finalidade nunca foi e nunca será manter a segurança do pedestre, ou do condutor, ou de quem quer que utilize essas vias! Nosso dinheiro já não é empregado em tantos e tantos e tantos impostos, por que não mais uma ‘multa’ por excesso de velocidade, ou por transitar em uma via exclusiva e muito mal planejada para ônibus... Por que não?
Não vou nem falar de segurança. Por que não há segurança, nem que todas as polícias se agrupem em uma operação gigantesca, seria suficiente pra deter a violência que sofremos nos supermercados, com os preços cada vez mais gritantes.
E o transporte público? Que raio de ônibus são esses que estão nas ruas? Quando não quebra, o cidadão chega cansado ao seu destino, tamanho desconforto. Com o valor da passagem, que ouvi dizer ser a mais alta do País, o cidadão merecia ao menos respeito neste tipo de serviço. A lei da troca.
Lamentável. Muito. As ‘criaturas’ que elegemos com a expectativa de alguma melhora, de olho em algumas promessas e necessidades, hoje, nos devem o mínimo de decência, o que não nos é revelado um minuto sequer.
Mas como diz o meu pai, 2014 está se aproximando. É ano de Copa do Mundo pra que a gente tenha uma folga em meio a tanto descontentamento e seja feliz com esse grande evento. Mas é também ano das Eleições, e vou esperar pacientemente, o dia em que um ‘bendito’ de um candidato nessa tão suja política do nosso país, me procure para pedir um voto ou expor suas expectativas ou até mesmo suas promessas. Ah, vou esperar e já tenho a minha resposta na ponta da língua.
Aquela frase que tem em nossa moeda “DEUS SEJA LOUVADO”, poderia ser substituída pelo apelo “DEUS TENHA MISERICÓRDIA DESTA NAÇÃO”. Facilmente.
Enfim... digo com propriedade que no dia de ontem, eu preferia ficar na parte linda da cidade, aproveitando o ótimo clima e admirando o lado bom de morar aqui!
Agora, no final das contas, quem é mesmo que vai pagar a conta da gasolina que gastei hoje no tour pelos hospitais?

Soninha Nobre