Planejamento é algo que se faz necessário quase sempre e em quase tudo que fazemos. Ou ao menos deveria ser necessário. Planejar o que vai ser fazer é indispensável para uma boa organização, seja do que for e como for.
Mas vou contar pra vocês uma história interessante que se tornou um tanto marcante, partindo de um improviso que me proporcionou uma das melhores viagens que já fiz.
Era dia. Estávamos três amigos e eu, resolvendo coisas na rua, após um evento em que trabalhamos arduamente. Tínhamos prazer incomparável em trabalhar nesses eventos, eram cansativos, mas ao mesmo tempo nos davam uma satisfação gigante e desfrutávamos de momentos que marcaram de uma vez por todas nossas vidas.
E foi neste dia, que parados em frente a casa de um conhecido de um de nós, conversando e sorrindo de uma cena que avistamos do outro lado da rua, onde uma criança brincava com uma boneca, como se fosse de verdade... um faz-de-conta que arrancou de nós muitas gargalhas, coisas bobas mas que nos divertia muito naquele momento.
Um dos nossos amigos me chamou, apresentou-me seu amigo e disse: "Soninha, este meu amigo sempre faz excursões pra Bahia, vamos viajar com ele?" Eu, espontaneamente respondi: "Bora!"
Voltamos ao carro, e ainda de brincadeira comentamos com os demais, "Ei, vamos viajar para Ilheus?" os três sorriram e disseram "Bora" na mesma espontaneidade com que respondi.
Entre sorrisos, lembranças e uma boa conversa fomos levar o carro para ser lavado, em um posto de gasolina próximo, e aguardando, sentamos em uma calçada, os quatro, e começamos a imaginar como seria essa viagem.
Vale dizer que nenhum de nós estava trabalhando, não possuíamos nenhuma fonte de renda naquele momento e estávamos completamente sem expectativa de começar a trabalhar, rs, acredite, pelados, nus com a mão no bolso. Mesmo assim estávamos ali pensando em sombra, água fresca, praia, siris e muita água de coco.
Faltava mais alguém pra compor esse time, era a única que estava trabalhando e por ironia do destino, estava de férias marcadas para os próximos dias. Seria ou não tudo já planejado por Deus antes de 'viajarmos' nessa ideia de gente maluca?
Arrumamos as mochilas, fizemos as malas, pegamos o violão e a bola de vôlei (que não poderiam faltar jamais) e partimos de carro em direção a Ilhéus/Bahia. Sim, seis corajosos, com pouco dinheiro e uma casa alugada em uma praia deserta um pouco distante da cidade de Ilhéus.
Antes que chegássemos ao paraíso que nos aguardava, nosso carro quebra, bem em frente ao Posto da Policia Rodoviária Federal, ainda em Brasília, ansiosos pra sentir a brisa do mar, a única coisa que sentimos foi o vento frio nas pernas a caminho do ponto de ônibus pra voltarmos pra casa e aguardar que o carro fosse consertado para enfim prosseguirmos rumo ao nosso destino.
Voltar pra casa e falar que houve um imprevisto e como consequência mudança de planos? Imagina, jamais! Nos refugiamos na casa do casal que viajava conosco e fingimos que nada acontecia. Até o dia de hoje, talvez você seja o primeiro dos muitos a saber disso, que não viajamos na data e horário definidos por nós. Passamos a noite hospedados na casa deles, e sorrindo demais da situação. Podem sorrir, realmente foi hilário.
Partimos logo cedo e pegamos a estrada. Após algumas muitas horas de viagem, chegamos ao nosso destino. O lugar era simplesmente divino. Água transparente, areia muito branca, palmeiras e coqueiros que nos convidavam a desfrutar daquele paraíso! E o melhor, praia deserta! Só havíamos nós e uns poucos urubus, típicos daquela região. Ehhhhhhh! Urubus lá são como pardais aqui, e isso nos assustou um bom bocado.
Foram dias marcantes. Caminhávamos muitas horas por aquelas areias que refletiam o sol de forma sobrenatural. As ondas tocavam-nas e faziam nossos pés afundarem e compartilhávamos o quanto Deus é maravilhoso em tudo o que faz.
Compartilhamos coisas engraçadas, sonhos, desejos, segredos e os risos fluiam na mesma proporção do sol naquelas areias. Lugar lindo, pessoas especiais e muita diversão.
Surgiam algumas pérolas e todas elas foram registradas, afinal, o que seria das amizades se não houvesse alguém para pegar no nosso pé por alguma "presepada" que fazemos ou falamos não é mesmo?
Não posso detalhar mais, seriam páginas e páginas ou um livro e não temos tempo pra isso não é?
Nesses dias surgiram músicas, projetos, algumas confidências e muitos risos.
A loucura do nosso guia sumir uns dias e não voltar, nos deixando à beira do desespero de como voltaríamos para casa.
O Caminho da Jiboia que nos amendrontava todos os dias ao ir e vir da praia. (mitos contados pelos moradores distantes daquela praia)
Enfim... foram 13 dias marcantes, frutos de uma conversa de calçada entre amigos que queriam apenas um motivo a mais para sorrir. E que motivo!
Se você é daqueles que planejam tudo, e se baseia quase que absolutamente na organização, experimente improvisar! Deixe que o acaso fale um pouquinho e torne seus momentos mais interessantes. Muitas vezes o inesperado torna os nossos momentos bem mais marcantes e felizes.
Às vezes, o que precisamos é de simplesmente um amigo, um lugar para estar, um violão, uma bola de volei, que seja, mas busque um motivo para tornar sua vida melhor e mais feliz.
E viva o improviso!
Beeejo
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