segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Os homens e uma história

Ela era loira, magra, e uma boa altura para uma mulher; linda, meiga e a mais velha das mulheres de uma família de 10 filhos. Ele, moreno tipo colombiano, muito bonito, gêmeo, e de uma família bem grande também. Sertanejos bem humildes e cheios de sonhos. Ela, Maria, ele, Sebastião. Ambos deixaram suas casas para se casarem; era 15 de Setembro de 1972 e ali começou uma grande história. 
Longe de ser um conto de fadas, tudo começou com muita simplicidade e dificuldades também. Mesmo casados continuaram vivendo no Sertão da Paraíba, lá onde estavam fincadas as suas raízes. Maria, filha de Maria do Carmo e Expedito Nobre, Sebastião, filho do Velho Miro e de Maria. Os deixaram pra viver uma vida, nada fácil, mas afim de edificar um lar e escreverem juntos uma história.
O Patriarca Expedito Nobre deixa o Sertão Paraibano com Maria do Carmo e os filhos e vai viver em Brasília, em busca de uma vida melhor. Lá, as portas foram abertas e oportunidades criadas pra manter os filhos com mais dignidade. Ele deixou lá no Sertão, Maria, Sebastião e já alguns filhos. Se para eles, a vida já era difícil na companhia dos seus pais e irmãos, imagine longe deles. Foi assim para Maria.
Ela, mulher guerreira e batalhadora, criando os filhos praticamente sozinha enquanto o seu companheiro Sebastião labutava dia e noite pra dar à sua prole condições de se ter uma vida digna. Ele, trabalhava de sol a sol, em dias de chuva, fossem eles de semana, finais de semana ou feriado. Fosse em Catolé do Rocha, João Pessoa ou Brasília. Viajava, labutava, e mesmo com a saudade imensa da mulher e filhos, não desistia de dar a eles o que eles realmente mereciam.
Os dois tiveram 6 filhos, as meninas Sandra, Sêmia, Sê, Soninha e Susi e um único menino, Paulo Sérgio. Mais tarde, viria mais uma, Marta. Paulo Sérgio, é o terceiro homem dessa história. Um menininho que cresceu em meio a tantas mulheres, com o caráter e coração sendo moldados a partir daí. Todas crianças, com diferença bem pequena de idade, não era fácil para Maria criar sozinha essas crianças. As coisas foram ficando mais difíceis, e a saudade apertando. Até que o velho Expedito Nobre não aguenta a saudade e volta ao Sertão, em viagem, para rever a filha e os netos. Leva presente para os netinhos, e mata parte daquela saudade que castigava a todos naquela época. Sebastião continuava trabalhando arduamente. Ele não parava.
Expedito não gostou do que viu. Dificuldades e saudades marcavam aquela família. Ele como pai, avô e amigo amável que era, decide algo que mudaria pra sempre a trajetória daquela família. Aquele homem regressa à Brasília e decide trabalhar pra trazer todos pra essa cidade que só fez bem pra ele e para os seus. 
Consegue um emprego digno para Sebastião e o traz para que juntos pudessem trabalhar e levar todos para também viverem lá. 
Ele fez bem mais que isso. Conseguiu não só o trabalho para Sebastião, mas a casa para Maria, uma cama para cada uma das crianças, móveis para toda a casa, e a companhia inigualável de Maria do Carmo, mãe de Maria, e os demais daquela família Nobre. 
Meses depois, Expedito envia as passagens e Maria viaja com as crianças, trazendo apenas as roupas e poucos pertences. Viagem difícil, mas a vontade de chegar logo e rever quem muito se amava falava mais alto, e uma viagem quer deveria durar dois dias, parecia uma eternidade, tamanha a ansiedade. 
Era Agosto de 1984 quando, pela primeira vez na vida, Maria e as criança pisaram os pés em Brasília, lugar onde havia promessa para eles. Ali, cercados de generosidade e cuidado de Deus, eles mudaram de vida, em vários aspectos. O que não mudou foi o coração grato e a fé em Deus. 
O que nenhum dos personagens desta história sabia, é que eles estavam prestes a se tornarem essenciais e marcantes, um na vida do outro.
Expedito Nobre, o maior de todos os homens desta história, foi pai, avô, amigo, ajudador, leal, de caráter incontestável, e acima de tudo generoso e amável.
Sebastião, o que suou, deu amor, e labutou todos os dias em que teve saúde e disposição, para dar aos filhos e mulher o que nem ele tinha condições de dar. Força e honra.
Paulo Sérgio, o menino que cresceu, cuidou das irmãzinhas e da sua mãe como um homem de verdade, e hoje, tornou-se um pai, esposo e irmão irrepreensível. 
Esta é um pouco da nossa história, e esses são os homens dela, sem os quais eu não seria eu, e sem tais exemplos, eu não teria sequer o que escrever!


Soninha Nobre 

8 comentários:

  1. Nossa, parece que tem o dom de me fazer chorar...srrsr
    Esse resumo expressa exatamente o que somos e o que temos. Minha família, meu maior tesouro!

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  2. Uau...FAMÌLIA, isso significa FAMÍLIA, e essa eu amo d+, muitão!
    Sêmia

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  3. Que lindo Soninha...bela homenagem viu!!! (Leide Jane)

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  4. Você como sempre nos envolve de emoção e orgulho com as suas palavras. Para mim é claro é um presente ter sido adotada por essa FAMÍLIA LINDA

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  5. Que lindooooo, magrela! São pessoas e histórias tão bonitas assim que nos enchem de inspiração. Adorei o texto!!!

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  6. Parabéns!!!!
    Lembrar de Tio Expedito me deixa muito emocionada,o jeito dele parece com o do meu pai que eu amo muito.

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  7. Perfeito, parabéns por essas palavras porque elas so me fazem ter certeza que o amor de um pai não tem limites.

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