terça-feira, 4 de outubro de 2016

SOBRE SAUDADE...

6h da manhã, ao abrir os olhos avisto diretamente a luminária, e desperto. Estou em um grupo raro de pessoas que despertam logo ao acordar. Sim, há uma diferença entre acordar e despertar.
Amanheci com a sensação de coração inchado, de sufocamento, mas não tão ruim assim.
Uma dor.
Dor de saudade.
Há tanta saudade guardada aqui dentro, que talvez já fosse tempo mesmo de transbordar, por isso esse aperto. Saudade do cheiro e cuidado do meu avô, daquela voz que exclamava toda vez que me via: "Oi minha beleza!". Essa falta nada preenche; saudade dos amigos da infância, ao ver ou ter notícias da evolução de suas vidas; saudade dos tempos de criança, dos lugares em que vivi, da leveza de tudo; saudade da velha coleção de papéis de carta, perfumados e lindos! Muita saudade; saudade de não ter responsabilidade, de não ter compromissos e obrigações; saudade da euforia das roupas novas para as festas de finais de ano; saudade da compra de materiais escolar para o início de mais um ano letivo. Lembro como se fosse hoje a alegria da primeira vez em que usei um "caderno de matérias"; saudade da sensação gostosa de quando me apaixonei pela primeira vez, mesmo que hoje olhe para a pessoa e pense: "Meu Deus, como pude?". Há mágica nas coisas que vivemos na inocência.
Pausa para um longo suspiro.
São tantas saudades que fica quase impossível listar. Eu mesma já escrevi tantas vezes sobre ela, ja compartilhei textos de Martha Medeiros sobre isso, e por aí vai. Há tanta saudade que há e sempre haverá muito o que dizer, o que se escrever.
A verdade é que grande parte da nossa história é composta de saudades. E isso não é tão ruim. Saudade é o que resta daquilo que não ficou.
Saudade boa é saudade do que, mesmo não tendo ficado, foi curado. Sabe como é? Aquela saudade da infância que passou, dos cheiros, brincadeiras, lugares. Aquilo que passa naturalmente com o tempo.
E a saudade ruim? Infelizmente não temos como evitar. É a saudade que ainda dói, a perda definitiva. Sabe muito bem quão dolorida ela é, quem já perdeu alguém que se ama para a eternidade. Essa dói até pra se escrever. Pense e chore aí comigo (sim, não é feio nem errado chorar de saudade), reflita no quão duro é nunca mais sentir o cheiro, os abraços e ver os sorrisos. Tudo isso passa a ser possível só quando fechamos os olhos e lembramos os momentos que vivemos juntos.
É saudade ruim também, do que permanece em vida mas que não ficou na nossa vida. Exatamente assim. Tudo o que deixamos pra lá, deixamos passar, deixamos findar.
Saudade do que foi e nunca mais será, e que, infelizmente não podemos deixar de sentir.
Alguns tipos de saudade passam (graças a Deus!), mesmo que durem muito. E outras, sempre existirão.
Entre o passar e o não passar, nos restam as lembranças e a vontade de fazer com que algumas coisas permaneçam para sempre em nossas vidas, garantindo assim, que outras saudades não venham a existir.
O dia continua, e com um presente lindo que é a chuva, e sigo com minhas atividades normais, com menos aperto do que mais cedo, pois há coisas que só saem da gente por escrito, e isso alivia, mesmo que seja só a saudade!

Feliz 4 de outubro chuvoso, gente! 


 

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