quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

INICIE UM NOVO PARÁGRAFO.

 

Recebi recentemente via Whatsapp um texto enorme, e eu, ao contrário da maioria das pessoas que conheço, gosto muito de textos grandes, e leio sim, acredite. Li, obviamente, e o autor era desconhecido, suspeitei que fosse uma mulher pela sensibilidade e discernimento de algumas linhas. Não me interprete mal, não é uma avaliação feminista, conheço muitos homens sensíveis e que conhecem bem uma alma feminina, e não tenho problema algum em reconhecer isso, mas não era o caso. Ao menos penso eu que não.
O texto falava sobre sofrimento, e das reticências que colocamos em certas coisas que não têm futuro algum. Refleti em cada palavra daquele longo texto, e ao final respirei fundo e pensei: "UAU! Preciso conhecer essa mulher e dar um abraço nela!"
Pois bem, agora vamos ao texto, ao meu texto.
Pensando naquelas reticências, e nos outros tantos tipos de pontuação que colocamos em nossa vida, no decorrer dessa nossa vida, cheguei à conclusão de que apesar de tão rica a nossa língua portuguesa, ela se torna pobre diante da linguagem real, da nossa vida real.
Deixamos de pontuar o texto da nossa vida, e ela se torna uma verdadeira bagunça. Quantos pontos finais que deixamos de colocar em algumas situações, tornando-as longas, cansativas e desgastantes? E quanto ao contrário? Quantas situações poderiam ter sido diferentes se ao invés de um ponto final tivéssemos colocado uma vírgula? Quanta coisa legal poderíamos ter vivido após um ponto e vírgula? Quanta resposta bacana poderíamos ter recebido após uma interrogação? Quantos abraços poderíamos ter dado depois de uma reticência? E por aí vai... Olha aqui a famosa reticência nos dando uma visão de muitas outras coisas, boas ou ruins.
Reticências são sempre incógnitas, elas são como enigmas. Podem ou não vir coisas boas depois delas e pagar para ver é uma opção nossa. E um risco também. Acontece que tantas vezes estamos tão calejados de uma sorte de sofrimentos advindos de situações passadas, que preferimos colocar um ponto final, à dúvida de dar continuidade. Reticências também é deixar continuar. É se permitir ser surpreendido.
Muitas vezes, mesmo sem querer ou planejar, a gente esbarra em algumas situações. Esbarra na crise, na reprovação, esbarra na porta fechada, em uma série de NÃOS, esbarra até no amor não correspondido. E esses aí merecem mesmo um ponto final, não compensa deixar que as vírgulas, ponto e vírgulas, interrogações e reticências nos tragam novas surpresas.
Mas esse ponto final é para a situação, não para a trajetória. Depois dele, dê um enter, em seguida um tab e inicie um novo parágrafo.
Iniciar um novo parágrafo é nos permitir viver novas histórias. Viver novas histórias é pontuar novamente, e, desta vez, diferente do parágrafo anterior, pois mesmo diante das adversidades que vieram depois de tantas vírgulas, tantos ponto e vírgulas, tantas interrogações e reticências, aprendemos, e aprendemos inclusive que merecemos viver uma nova história, boa e feliz.
Saiba pontuar o texto da sua vida. Saiba aprender com cada pontuação, cada figura de linguagem, com cada redundância, cada repetição, cada metáfora (lógico, quantas vezes fizemos comparações fantasiosas?), e com cada pleonasmo, aqueles mesmos de todas as vezes que saímos pra fora e tentamos entrar para dentro.
O conselho final vai para você e para mim: que saibamos pontuar bem a nossa vida, e que, mesmo que depois das reticências venham doses extras de sofrimento, que possamos não hesitar em colocar logo um ponto final e iniciar um novo parágrafo.
Quem sabe nesse novo parágrafo algo maravilhoso nos espera?
Bom texto a todos nós!

​Beeejo

Soninha​

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